Mayara Bacelar

Miguel Fontes
Foto: Jornal do Comércio

As empresas que não agregarem a sustentabilidade humana e ambiental à gestão de seus projetos estão fadadas ao fracasso. Pode parecer fatalista, mas a sentença do consultor e diretor da John Snow Brasil, Miguel Fontes, tem como argumentos as transformações na estrutura social brasileira para atestar sua teoria. Durante o IX Seminário de Gestão de Projetos, que acaba nesta sexta-feira no centro de eventos da Pucrs, Fontes afirmou que parte das lacunas que impedem melhorias na qualidade de vida da população e nos níveis de produtividade das empresas poderia ser preenchida caso o conceito de Cidadania Corporativa Estratégica estivesse no DNA dos projetos elaborados.

“O Brasil passa por uma revolução demográfica, que vai obrigar a revolucionar também a forma como os projetos são idealizados”, disse. O consultor explica que, com o envelhecimento da população, em algumas décadas, o Brasil terá uma população economicamente ativa menor. Esse cenário pode incidir em um apagão de mão de obra, já que a base da população deve continuar com condições de ensino e saúde precárias, e arrisca não ser suficiente – seja em volume ou qualificação – para dar conta da demanda empresarial do País.

Para Fontes, os projetos com foco no aumento de produtividade não acompanham a necessidade de programas em sustentabilidade humana, que poderiam fomentar melhores condições vida tanto para funcionários das organizações quanto para membros da sociedade. Ele acrescenta que as iniciativas do gênero não podem ser encaradas como mera caridade para agregar valor à imagem das empresas, mas sim, de serem incorporadas aos propósitos da instituição.  O processo, porém, ainda engatinha no País. “Só agora começa a haver consciência de que todo projeto de melhoria de processos passa pela sustentabilidade”, explica o consultor.

As dificuldades em se implantar ações de responsabilidade social estão no desconhecimento da linguagem social, bem como na resistência do empresariado em assimilar que aplicar na área não é gasto, mas um investimento que possui retorno, inclusive, financeiro. Um projeto capitaneado pela John Snow Brasil em Brasília investiu R$ 380 mil na qualificação de jovens carentes, onde cada real investido resultou em uma economia de R$ 1,77.

Focada nos aspectos ambientais, a empresa de comunicação SPR, de Novo Hamburgo, está sentindo dia a dia os benefícios de investir em sustentabilidade. A companhia vive um momento de expansão e, por isso mesmo, no ano passado, projetaram o aumento das dependências físicas da SPR. O caminho escolhido, entretanto, não seguiu as vias tradicionais. A começar pela opção de usar contêineres navais descartados para as novas instalações. O  publicitário e fundador da agência, Juliano Hennemann, relata que os investimentos para tornar uma empresa eficiente em quesitos ambientais são significativos, mas retornam em diversos aspectos. No IX Seminário de Gestão de Projetos, o publicitário apresentou toda a transformação da empresa, que também ganhou sistema de climatização inteligente e iluminação de LED. “Realmente é um conceito muito inovador e, ao mesmo tempo, totalmente sustentável”, diz Hennemann. “No momento em que se constrói reaproveitando contêineres, deixa também de usar materiais novos e de retirar matéria-prima do planeta”, acrescenta. O publicitário relata que os novos processos implementados na SPR estão gerando uma importante economia.

Fonte: Jornal do Comércio

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