Por Conrado Rosa

Quantos quilos ou toneladas sua empresa envia mensalmente aos aterros? Quais destes resíduos, ou insumos, podem ser reutilizados ou reciclados pelo conceito do upcycling?

Muitos resíduos industriais classe II são enviados a aterros industriais pois não são mais úteis na forma em que foram concebidos originalmente. Estão rasgados, com manchas, desgastados, entre outros. Ou são materiais pré consumo resultado da produção que acabam indo corretamente para aterros industriais, pois ainda não tem uma solução adequada.

O Brasil descarta diariamente mais de 240 mil toneladas de materiais em aterros.

O livro Cradle to Cradle (C2C) do alemão Michel Braungart e do americano William McDonough de 2002 traz um conceito muito interessante sobre o ciclo de vida dos materiais.

Imagem criada por EPEA GmbH, Alemanha.

Os metabolismos Cradle to Cradle (C2C) são separados em Ciclo Biológico e Ciclo Técnico. No Ciclo Biológico entram produtos de consumo que poderiam ser produzidos com materiais biodegradáveis e assim retornariam facilmente a biosfera. No Ciclo Técnico estão produtos que podem ser desmontados facilmente para posterior separação, reutilização ou reciclagem de materiais que se tornam nutrientes para própria cadeia produtiva ou para outra.

O design é fator imprescindível dentro do C2C. Incentiva o uso de designs que facilitem a desmontagem, prima pela qualidade, uso de materiais com risco zero a saúde, energia renovável, entre outros.

Ao encararmos alguns resíduos como insumos estaremos abrindo a possibilidade de o custo de descarte se transformar em geração de valor para marca. Seja reciclando um material para que se torne insumo de uma cadeia produtiva ou então geração de renda para comunidades.

Hoje várias comunidades estão se organizando para estar reutilizando materiais, sem risco a saúde, que iriam para aterros e transformando em belos brindes corporativos materiais que seriam descartados. A qualidade dos produtos é excelente, porém muitas vezes não se consegue ter um padrão de cor. Todavia, empresários que utilizam a sustentabilidade na estratégia não se incomodam com estas variações. Que na verdade celebram a diversidade, a exclusividade e principalmente o cunho social destes produtos ao ter uma relação de comércio justo com a comunidade.

No último Fórum Econômico Mundial em Davos, o conceito Cradle to Cradle foi reforçado pelo relatório intitulado “Towards the Circular Economy” calcula US$ 380 bi em negócios não explorados apenas para a Europa. Elaborado pela Fundação Ellen McArthur e  McKinsey & Company, aponta casos e análises financeiras das oportunidades no sistema batizado de “Economia Circular”, um modelo capaz de desacoplar o crescimento econômico da geração de resíduos. O relatório destaca quatro fontes de criação de valor para modelos de negócios onde as iniciativas de “fechar o ciclo” dos produtos podem ser muito rentáveis: manutenção, redistribuição, remanufatura, e reciclagem.

Assita ao vídeo da McKinsey sobre a Economia Circular.

 

Conrado Rosa é sócio idealizador e diretor da Greener

Fonte: Endeavor As Oportunidades na Economia Circular, Ana Esther Rosseto

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