Por Fernanda Macedo* e Roberta Simonetti**

Estudos mostram o valor que essa prática pode trazer a empresas e investidores, com oportunidades de ganhos para todos

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A dinâmica do mercado financeiro tradicional retrata a primazia do pensamento de curto prazo. Investidores decidem os rumos de seus ativos motivados por resultados imediatos
 e pouco comprometidos com o futuro. Mas esse cenário pode mudar, se as decisões de investimentos mirarem o horizonte de longo prazo, de modo a garantir a manutenção do lucro e a perenidade dos negócios.

Apesar de ainda serem minoria, investimentos que consideram não apenas o retorno financeiro, mas também informações socioambientais e questões de governança
– chamados Investimentos Sustentáveis e Responsáveis (ISR) –, apresentaram uma rápida expansão em comparação aos
 ativos tradicionais.

Na Europa, o ISR cresceu mais de 35% ao ano, desde 2009. Nos Estados Unidos, ascendeu 486% entre 1995 e 2012 e representa atualmente 11,3% do mercado total de ativos no país.

A expansão do ISR vem acompanhada de uma percepção mais clara pelas empresas sobre o valor da sustentabilidade. Segundo pesquisa realizada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) [1], 67%
dos executivos de grandes corporações entrevistados em diferentes países afirmam que a sustentabilidade é fundamental para garantir a competitividade no cenário atual.

A pesquisa O Valor do ISE – publicada pelo programa Finanças Sustentáveis do GVces, no lançamento da oitava carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa, em novembro de 2012
– reuniu os principais estudos que apontam os ganhos que empresas e investidores podem obter apostando em iniciativas 
de sustentabilidade. Na publicação, são apresentados os impactos positivos de iniciativas, como o ISE, para administradores e acionistas.

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Diferentes métodos de pesquisa buscam identificar e mensurar que tipo de retorno as iniciativas de sustentabilidade podem trazer às empresas. O estudo What is the Value of Corporate Social Responsibility? [2] conclui que o desempenho socioambiental influencia positivamente o resultado financeiro, ao analisar empresas da carteira ISE em relação a um grupo controle de companhias semelhantes que não fazem parte do índice. Além deste, outros estudos foram destacados na pesquisa O Valor do ISE, disponível no site isebvmf.com.br.

Certamente, o desafio de medir quanto vale a sustentabilidade ainda está longe de ser solucionado. A resposta faz parte de um cenário complexo, no qual os resultados não podem ser analisados e interpretados isoladamente.

Embora a sustentabilidade deva ser compreendida de forma sistêmica, é possível perceber valores intangíveis que
 ela oferece às empresas. Além da vantagem competitiva e da melhora na reputação que iniciativas voluntárias na área podem gerar, as empresas que seguem esse caminho têm mais acesso ao conhecimento e a ambientes de compartilhamento de boas práticas, permitindo identificar formas mais eficazes de gestão das questões socioambientais.

Conscientes do diferencial que a sustentabilidade pode oferecer, as empresas dedicam-se a uma ampla agenda de atividades que incluem relatórios de sustentabilidade, engajamento de stakeholders, gestão das mudanças climáticas, adesão e alinhamento
a compromissos voluntários internacionais sobre o tema e a participação em grupos seletos, como os índices de sustentabilidade em bolsas de valores.

Por isso, os investidores têm em suas mãos o poder de atuar como fortes indutores de mercado, apontando a direção para onde as empresas devem seguir. Eles representam uma importante força com potencial para abrir caminhos a uma nova economia.
 Uma reação positiva dos investidores em busca de ações de empresas com melhores práticas sustentáveis é a prova concreta de que o mercado reconhece o valor da sustentabilidade e, por isso, essa deveria ser a trajetória a ser traçada pelas companhias.

No Brasil, os maiores investidores institucionais têm se engajado em iniciativas como o Principles for Responsible Investment (PRI), das Nações Unidas, com o objetivo 
de seguir princípios de gestão responsáveis para seus ativos. O Valor do ISE também apresenta o resultado de uma consulta
feita a 12 importantes fundos de pensão sobre como o índice brasileiro contribui
para seu trabalho. O resultado mostra a importância das informações socioambientais para a decisão de investimento dessas instituições: 75% dos fundos já utilizam ou planejam utilizar neste ano o questionário
 ISE respondido e publicado na íntegra pelas empresas da carteira, no site do índice.

A publicação O Valor do ISE busca contribuir para que, cada vez mais, investidores e empresas compreendam a importância da sustentabilidade para seus negócios e para
o futuro da economia. A velocidade dessas mudanças no mercado depende de um olhar mais atento para as oportunidades que se abrem em face dos problemas do atual modelo de desenvolvimento.

*Fernanda Macedo é jornalista, pesquisadora do Programa Finanças Sustentáveis do GVces e coautora da pesquisa O Valor do ISE.
**Roberta Simonetti é  doutora em física, coordenadora do Programa Finanças Sustentáveis do GVces, coordenadora-executiva do ISE e coautora da pesquisa
 O Valor do ISE.

Originalmente publicado em Página 22

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