Por Ana Asti

O comércio justo é baseado em uma série de princípios que buscam a justiça na cadeia produtiva, ou seja, criar uma cadeia produtiva que gere uma relação de ganha-ganha entre todos os elos que fazem parte dela, especialmente o pequeno produtor. É um comércio onde paga-se um preço justo pela produção desse pequeno produtor, seja ele um artesão ou um produtor rural, onde se tem igualdade entre homem e mulher, existe um trabalho de transparência, tem a questão da sustentabilidade, do meio ambiente, não existe o trabalho infantil, existem boas condições de trabalho, são 10 princípios que regem uma relação comercial mais justa, esse é o principal objetivo do comércio justo.

O comércio justo trabalha com a ideia da rastreabilidade da cadeia produtiva. Então você trabalha esses princípios, seja ele com o produtor, que é o principal beneficiado desse comércio, ou também com as indústrias que fazem o beneficiamento daquela matéria-prima ou daquele insumo que foi produzido. Aí segue, por exemplo, na área internacional, para o regulamento da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Esse modelo de negócio é uma tendência para o futuro. Isso é muito claro quando a gente pega as estatísticas do comércio justo do exterior. Isso começou na Europa na década de 1960 e hoje já estamos falando de mais de 60 mil pontos de venda, um mercado de mais de 3,5 bilhões de euros, que vem crescendo a um ritmo de 30% ao ano – especialmente na área de alimentos. É uma tendência muito forte que vem mantendo um crescimento estável, especialmente nesses últimos 10 anos, quando os produtos alcançaram de fato os supermercados.

Isso no Brasil ainda é muito recente, existe pouca informação, não existe um consumidor que conhece o comércio justo e demanda isso na prateleira do supermercado, por isso que para a gente ainda não é um mercado claro. Mas outros países, tanto da Europa quanto Estados Unidos, Austrália e até Nova Zelândia, tem tido um crescimento muito grande, porque o consumidor já identifica.

Uma pesquisa feita há cinco anos por uma organização chamada Artesãs do Mundo, da França, já colocava que mais de 73% da população francesa já tinha ouvido falar em comercio justo, e mais de 50% já tinha comprado pelo menos uma vez esses produtos. Então, o que já faz parte da vida de mercado desses países, infelizmente ainda não faz parte da nossa.

 

Ana Asti é a presidente da Organização Mundial de Comércio Justo na América Latina (WFTO)

Fonte: EcoD

 

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