Por Vanessa Barbosa

levi

A centenária Levi Strauss teve o melhor desempenho

Cada vez mais empresas recorrem às redes sociais a fim de espalhar suas iniciativas “verdes” para investidores, funcionários, mídia, ONGs e consumidores em geral. É o que revela o novo relatório SMI-Wizness Social Media Sustainability Index 2012, que lista as 100 companhias que tiram o melhor proveito das mídias para comunicar seus esforços nessa seara.

Essa nova mentalidade é motivada por uma realidade simples: a sustentabilidade não é apenas de interesse para o negócio, mas para o público em geral, ressalta o estudo. De acordo com o relatório, em 2012, o Facebook foi o canal de mídia social mais usado para comunicação da sustentabilidade corporativa – 87% das empresas têm perfil na rede.

Em seguida aparece o Twitter, com 86% de participação. Já os blogs de sustentabilidade superaram o uso de vídeos no YouTube. Enquanto o Pinterest foi o novo favorito de 15 empresas, o pioneirismo no Google+ ficou por conta da Cisco, a única das 100 companias que marca presença nessa rede, segundo o estudo. Outra tendência verificada inclui a publicação online dos relatórios de sustentabilidade e criação de revistas digitais.

“As empresas que possuem estratégias, serviços e produtos que demonstrem os seus compromissos com a responsabilidade ambiental e social têm, naturalmente, a melhor história para contar”, diz o relatório. “O desafio é usar as mídias para espalhar de forma transparente e autêntica essas ações”.

Para classificação das 100 empresas foram levados em conta alguns pontos, como quantas vezes as marcas publicam e atualizam seus canais, se permitem comentários e como respondem a eles, e o quão relevante são as informações postadas para a comunidade. Veja abaixo as 10 primeiras colocadas:

 

Posição 2012 Empresa Posição 2011
 1 Levi Strauss  8
 2 Banco Bilbao Vizcaya Argentaria S.A.  5
 3 eBay  não avaliado
 4 Danone S.A.  13
 5 General Electric Co  1
 6 Telefonica S.A.  30
 7 IBM  2
 8 Marks & Spencer Group  não avaliado
 9 FedEx Corp  11
10 Microsoft Corp.  29

Para acessar a tabela na íntegra acesse a publicação original da Exame

Reduzir custos e aumentar lucros são os fatores pelos quais as empresas estão adotando políticas de sustentabilidade em suas estratégias de negócio.

Por Paulo Itacarambi*

Duas pesquisas internacionais dão respostas diferentes quando se pergunta se a sustentabilidade é realmente importante para as empresas e se elas estão investindo nisso. Uma delas, feita pela consultoria britânica Verdantix com 250 líderes de sustentabilidade em empresas globais de 13 países, aponta que a sustentabilidade é importante, mas não agora. A outra, levada a cabo pelo Massachusetts Technology Institute (MIT) e pelo Boston Consulting Group (BCG), com 2.300 executivos de grandes corporações, diz que a sustentabilidade é cada vez mais importante.

sustentabilidade corporativa

No primeiro caso, a Verdantix deixou os CEOs de fora desse estudo de maneira proposital, para penetrar “na pele da corporação” e entender como de fato estão caminhando os negócios em relação à sustentabilidade. A pesquisa buscou informações a respeito da relevância do tema na estratégia do negócio, as motivações que levam a adotar (ou não) a sustentabilidade e o volume de investimentos.

O que atrai os CEOs para a sustentabilidade?

Ambas as pesquisas concordam que é a redução de custos que atrai os CEOs para a sustentabilidade. Dos executivos entrevistados pela Verdantix, 90% afirmaram que os argumentos mais convincentes para um CEO liberar recursos para um projeto de sustentabilidade são a redução de custos na empresa e o aumento do lucro.

A tendência, segundo a pesquisa MIT/BCG, é essa mesmo: a sustentabilidade está sendo utilizada pelas empresas como forma de reduzir custos e aumentar lucros. E é por esses fatores que as empresas estão efetivamente adotando políticas de sustentabilidade em suas estratégias de negócio.

O investimento total em sustentabilidade está crescendo?

Essa é outra conclusão coincidente nas duas pesquisas. A Verdantix apurou que quase metade das empresas investe 1% das receitas em iniciativas de sustentabilidade; 28% das empresas investem entre 1 e 2%; e 26% investem mais de 2% das receitas. Essas verbas acabam destinadas principalmente para a elaboração de relatórios de sustentabilidade e para ações de certificação. A Verdantix considera baixo esse investimento. Entretanto, se analisarmos o investimento médio das empresas em inovação, veremos que os valores investidos em um e outro são muito próximos. A sustentabilidade é um assunto ainda novo para as empresas.

A Booz & Company, em sondagem de 2012, mostra que a média dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento das grandes corporações gira também em torno de 1%. É claro que há empresas que investem acima de 10%, pela própria natureza do negócio, como é o caso dos setores de TI e de Saúde.

A pesquisa MIT/BCG mostra, por outro lado, que o número de empresas que investem em sustentabilidade e relatam lucro está crescendo, passando de 23%, em 2011, para 37%, em 2012.

A verdade é que as duas pesquisas olham metades diferentes do mesmo copo. Uma olha a metade que está enchendo (MIT/BCG) e a outra, o que está faltando (Verdantix).

Por que a sustentabilidade é importante, mas não agora?

Segundo o estudo da Verdantix, a importância do tema nas decisões estratégicas é menor do que o interesse que o discurso oficial da empresa faz parecer. Metade dos entrevistados afirmou que o CEO “empurra” o assunto para um futuro distante, sob a justificativa de que se trata de investimento de longo prazo ou de que ainda é algo muito novo na empresa. Todavia, 90% dos entrevistados acreditam que esse cenário começará a mudar a partir de 2015, quando a sustentabilidade estará mais em relevância.

Os recursos existem, estão em algum lugar

A sustentabilidade pode ser importante para a empresa, mas isso não significa que os recursos estejam alocados ou disponíveis para as áreas de sustentabilidade. As despesas com projetos de sustentabilidade estão dispersas em várias áreas. Por isso, a execução desses projetos depende dos líderes desses setores, e não dos líderes em sustentabilidade, o que é bom, pois a sustentabilidade precisa estar incorporada em todas as áreas do negócio. Os investimentos em sustentabilidade precisam de fato ser feitos pelas áreas de Produção, Relacionamento com Clientes e Relacionamento com Fornecedores, entre outras.

O líder em sustentabilidade ainda não tem um “lugar” na empresa

Como o tema ainda é novidade na agenda das empresas, não há projetos apropriados nem descrição de cargo para quem cuida do assunto. Com isso, as funções e o poder dos executivos responsáveis pelas decisões de sustentabilidade variam de empresa para empresa. Esse fato também pode ser considerado positivo, pois, se as áreas de negócios estiverem incorporando o tripé em seus processos, produtos e serviços, pode não ser necessário ter um cargo específico de sustentabilidade.

Serviços contratados

Para verificar a adesão à sustentabilidade, a Verdantix também verificou, na sua pesquisa, quais os serviços que as empresas estão contratando das consultorias.

Constatou que 90% delas contratam consultorias para projetos de natureza técnica, como relatórios de sustentabilidade, análise de riscos, inventário de emissões de gases de efeito estufa e responsabilidade na cadeia de fornecimento. As preferidas são Ernst & Young, KPMG, Deloitte e PwC, porque os executivos reconhecem nelas qualidades fundamentais como capacidade técnica, eficácia no tempo, conhecimento sobre regulação e custo comparado.

O restante das empresas (10%) buscam consultorias para serviços de gestão, como: estratégia; risco e marca; desempenho ambiental e inovação. As preferidas são Accenture, MacKinsey e Bain.

Entre as organizações sem fins lucrativos, as preferidas são: o Carbon Disclosure Project (CDP), uma ONG formada por grandes investidores institucionais de todo o mundo, que detém a maior base de dados mundial sobre emissões de carbono das companhias e a gestão empresarial de mudanças climáticas; e a Global Reporting Initiative (GRI), ONG sediada na Holanda que desenvolveu (e continua desenvolvendo) uma estrutura de relatórios de sustentabilidade que pode ser aplicada por empresas de qualquer porte ou natureza, em qualquer parte do planeta.

Em resumo, as empresas estão dando preferência para as organizações com atuação internacional.

No Brasil

Entre os países abrangidos pela pesquisa, o Brasil é o local onde as empresas apresentaram a maior despesa média em consultoria de sustentabilidade: R$ 6,1 milhões por empresa.

Os setores com maiores despesas em iniciativas de sustentabilidade são: mineração, papel e celulose; petróleo e gás; e alimentação e bebidas; bem como distribuição de energia e de água.

As empresas brasileiras estimam gastar, em 2013, US$ 12,6 bilhões com consultorias; 90% dessa quantia serão despendidos com consultorias técnicas e 10% com consultorias em gestão. Entre os países pesquisados, o Brasil apresenta a segunda maior despesa em consultorias de gestão, atrás apenas dos Estados Unidos.

Por fim, a Verdantix listou algumas dicas para o sucesso de uma consultoria em sustentabilidade, a partir das demandas das empresas:

  • Compreender as preferências das empresas;
  • Ter paciência e saber antecipar os negócios imprevistos;
  • Investir numa equipe central de excelência;
  • Desenvolver habilidades específicas;
  • Não esperar grande cobertura da mídia;
  • Conduzir uma autoavalição honesta da qualidade técnica
  • Ter um plano de negócios bem feito; e
  • Ter foco.

* Paulo Itacarambi é vice-presidente do Instituto Ethos.

Publicado originalmente em Instituto Ethos

Por Alessandra Lobo

Ser sustentável é servir de base, apoio, alicerce. Então um desenvolvimento sustentável deve ser pautado na execução das ações planejadas, no hoje, para chegar ao resultado do(s) objetivo(s). A manutenção dos resultados já conquistados e seu crescimento dependem das ações que continuam a serem desenvolvidas.

greenenggÉ como o ditado popular “Devemos plantar hoje para colher amanhã”, pois é possível colher o fruto dias, meses e anos após a plantação e, dependendo de como ela é realizada e as inovações utilizadas neste plantio, se pode diminuir, manter e crescer a colheita dos frutos.

Exemplo no âmbito Pessoal: O “sonho” (objetivo) da pessoa é ter um diploma universitário da Fundação Getúlio Vargas – FGV, mas para consegui-lo deve primeiramente ter concluído o ensino médio, definir qual curso irá cursar, se inscrever num processo de seleção de candidatos a universitários da FGV, realizar a prova de seleção, torna-se apto, se matricular, frequentar as aulas, realizar as provas e obter notas necessárias em cada disciplina e assim sucessivamente durante o período da realização da graduação. Depois de todas essas etapas a pessoa consegue o diploma de universitário da FGV. Agora, se esta pessoa ultrapassa, ou deixa de fazer como deveria algumas dessas etapas o resultado provavelmente não será o mesmo e ele poderá ser positivo ou negativo.

Para o desenvolvimento sustentável de uma empresa também segue o raciocínio exposto acima. Empresas que trabalham com algum viés para a sustentabilidade possuem um diferencial competitivo grande, em relação às demais, no entanto, poucas são as que conseguem perceber as tendências de mercado (compras governamentais, corporativas e consumidor final), legislação, marcos regulatórios, diferencial competitivo e inovação com foco em sustentabilidade.

A discussão a respeito do tema Desenvolvimento Sustentável iniciou há algumas décadas e seu conceito, segundo a Comissão Brundtland (1987) é aquilo que “satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades”, ou seja, é a capacidade dos seres humanos viverem, satisfazendo suas necessidades, utilizando os recursos naturais e ao mesmo tempo realizarem práticas de cuidado e manutenção para que as gerações futuras também possam satisfazer suas necessidades.

Somente nos últimos anos, essa discussão, começou a ser absorvida pelo mercado e o Diretor Técnico do Sistema SEBRAE disse que sustentabilidade é “Otimizar o uso dos Recursos Naturais e a Redução dos Impactos Ambientais,  bem como Promover a Inclusão Produtiva por meio da Inovação e do Melhor Uso das Tecnologias.” (Carlos Alberto dos Santos, 2012), deste modo há um esforço para melhorar o uso dos recursos naturais e diminuir as alterações ocasionadas no meio ambiente por determinada ação ou atividade e a adaptação das instituições por meio de uma gestão estratégica que utilize a inovação  e melhor uso de Tecnologias.

Os micros e pequenos empresários devem olhar a sustentabilidade com um olhar estratégico, pois o modelo da atividade econômica baseado na produção e consumo esta em transição e a absorção da sustentabilidade pelo mercado ocasiona a disseminação da Economia Verde que é a minimização dos impactos gerados no meio ambiente provenientes das atividades econômicas.

sustainability

As mudanças ocasionadas por ações sustentáveis na organização são refletidas no ambiente interno, quanto no externo. No ambiente interno, inicialmente, ocorre à redução de custos e riscos e, no futuro, inovação e reposicionamento. No ambiente externo, inicialmente, ocorre reputação e legitimidade e, no futuro é um caminho e trajetória para o crescimento sustentável.

Para se conseguir tais resultados é necessário à participação, empenho e dedicação da governança e colaboradores da empresa, mas como inserir a sustentabilidade no dia a dia dos negócios?  Em primeiro lugar deixar de lado a ideia que sustentabilidade “custa caro” e, em segundo lugar, analisar os conceitos de sustentabilidade e ver os que se encaixam com a realidade e o negócio da sua empresa.

As ações podem ser realizadas tanto na questão social, ambiental e econômica e quanto maior o equilíbrio entre essas questões menor será a pobreza, desigualdade social e degradação ambiental e maior será o crescimento econômico.

Originalmente publicado em Administradores.com.br

Por Fernanda Macedo* e Roberta Simonetti**

Estudos mostram o valor que essa prática pode trazer a empresas e investidores, com oportunidades de ganhos para todos

grafico_sustentabilidade

A dinâmica do mercado financeiro tradicional retrata a primazia do pensamento de curto prazo. Investidores decidem os rumos de seus ativos motivados por resultados imediatos
 e pouco comprometidos com o futuro. Mas esse cenário pode mudar, se as decisões de investimentos mirarem o horizonte de longo prazo, de modo a garantir a manutenção do lucro e a perenidade dos negócios.

Apesar de ainda serem minoria, investimentos que consideram não apenas o retorno financeiro, mas também informações socioambientais e questões de governança
– chamados Investimentos Sustentáveis e Responsáveis (ISR) –, apresentaram uma rápida expansão em comparação aos
 ativos tradicionais.

Na Europa, o ISR cresceu mais de 35% ao ano, desde 2009. Nos Estados Unidos, ascendeu 486% entre 1995 e 2012 e representa atualmente 11,3% do mercado total de ativos no país.

A expansão do ISR vem acompanhada de uma percepção mais clara pelas empresas sobre o valor da sustentabilidade. Segundo pesquisa realizada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) [1], 67%
dos executivos de grandes corporações entrevistados em diferentes países afirmam que a sustentabilidade é fundamental para garantir a competitividade no cenário atual.

A pesquisa O Valor do ISE – publicada pelo programa Finanças Sustentáveis do GVces, no lançamento da oitava carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa, em novembro de 2012
– reuniu os principais estudos que apontam os ganhos que empresas e investidores podem obter apostando em iniciativas 
de sustentabilidade. Na publicação, são apresentados os impactos positivos de iniciativas, como o ISE, para administradores e acionistas.

green-economy

Diferentes métodos de pesquisa buscam identificar e mensurar que tipo de retorno as iniciativas de sustentabilidade podem trazer às empresas. O estudo What is the Value of Corporate Social Responsibility? [2] conclui que o desempenho socioambiental influencia positivamente o resultado financeiro, ao analisar empresas da carteira ISE em relação a um grupo controle de companhias semelhantes que não fazem parte do índice. Além deste, outros estudos foram destacados na pesquisa O Valor do ISE, disponível no site isebvmf.com.br.

Certamente, o desafio de medir quanto vale a sustentabilidade ainda está longe de ser solucionado. A resposta faz parte de um cenário complexo, no qual os resultados não podem ser analisados e interpretados isoladamente.

Embora a sustentabilidade deva ser compreendida de forma sistêmica, é possível perceber valores intangíveis que
 ela oferece às empresas. Além da vantagem competitiva e da melhora na reputação que iniciativas voluntárias na área podem gerar, as empresas que seguem esse caminho têm mais acesso ao conhecimento e a ambientes de compartilhamento de boas práticas, permitindo identificar formas mais eficazes de gestão das questões socioambientais.

Conscientes do diferencial que a sustentabilidade pode oferecer, as empresas dedicam-se a uma ampla agenda de atividades que incluem relatórios de sustentabilidade, engajamento de stakeholders, gestão das mudanças climáticas, adesão e alinhamento
a compromissos voluntários internacionais sobre o tema e a participação em grupos seletos, como os índices de sustentabilidade em bolsas de valores.

Por isso, os investidores têm em suas mãos o poder de atuar como fortes indutores de mercado, apontando a direção para onde as empresas devem seguir. Eles representam uma importante força com potencial para abrir caminhos a uma nova economia.
 Uma reação positiva dos investidores em busca de ações de empresas com melhores práticas sustentáveis é a prova concreta de que o mercado reconhece o valor da sustentabilidade e, por isso, essa deveria ser a trajetória a ser traçada pelas companhias.

No Brasil, os maiores investidores institucionais têm se engajado em iniciativas como o Principles for Responsible Investment (PRI), das Nações Unidas, com o objetivo 
de seguir princípios de gestão responsáveis para seus ativos. O Valor do ISE também apresenta o resultado de uma consulta
feita a 12 importantes fundos de pensão sobre como o índice brasileiro contribui
para seu trabalho. O resultado mostra a importância das informações socioambientais para a decisão de investimento dessas instituições: 75% dos fundos já utilizam ou planejam utilizar neste ano o questionário
 ISE respondido e publicado na íntegra pelas empresas da carteira, no site do índice.

A publicação O Valor do ISE busca contribuir para que, cada vez mais, investidores e empresas compreendam a importância da sustentabilidade para seus negócios e para
o futuro da economia. A velocidade dessas mudanças no mercado depende de um olhar mais atento para as oportunidades que se abrem em face dos problemas do atual modelo de desenvolvimento.

*Fernanda Macedo é jornalista, pesquisadora do Programa Finanças Sustentáveis do GVces e coautora da pesquisa O Valor do ISE.
**Roberta Simonetti é  doutora em física, coordenadora do Programa Finanças Sustentáveis do GVces, coordenadora-executiva do ISE e coautora da pesquisa
 O Valor do ISE.

Originalmente publicado em Página 22

ce100.085502

A Fundação Ellen MacArthur lançou hoje o Economia Circular 100 (‘CE100’), um programa de três anos destinado a reunir uma rede de 100 empresas líderes a nível mundial para facilitar o desenvolvimento e compromisso com novos projetos de economia circular. O CE100 irá fornecer educação executiva nos principais temas e tendências emergentes, compartilhar conhecimentos e aprendizados novos, e identificar e desenvolver soluções para desafios comuns. O objetivo é que, até 2015, as empresas participantes terão desencadeou iniciativas circulares que irá resultar em um benefício econômico agregado de US $ 10 bilhões para as empresas envolvidas.

O lançamento vem como resultado da resposta excepcional do mercado para a publicação de dois relatórios da Fundação, lançado durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, com a análise da McKinsey, que demonstram mais de US $ 1 trilhão de oportunidades proporcionados pela inovação da economia circular. A criação da nova aliança é apoiada por parceiros fundadores da Fundação, a Cisco, a BT, a National Grid, B & Q e Renault.

Vinte empresas já confirmaram a sua participação no programa, que abre oficialmente hoje, incluindo a Coca-Cola, M & S, o Grupo IKEA, Morrisons, Tarkett, FLOOW2, Reino Unido Heights, iFixit, Ricoh, Vestas, WRAP, Turntoo, e Desso. O programa vai buscar a filiação dos setores da indústria que se acredita serem fundamentais para a evolução da economia circular.

“A economia circular representa uma oportunidade clara e comprovada para empresas de todo o mundo. Nossa nova iniciativa traz coesão e foco para esta oportunidade e permite que as empresas para compartilhar experiências, aprender com as melhores práticas e de trabalhar em conjunto para alcançar benefícios reais de negócios. Cada um dos membros da CE100 fez um compromisso com uma iniciativa de economia circular. No total, prevê-se que este tem um valor de mais de US $ 10 bilhões, incentivando a criação, inovação e emprego. “

– Ellen MacArthur

Tagged with:
 

A ex-velejadora britânica Ellen MacArthur, que abraçou as causas ambientais depois de muitos triunfos no mar, lançou o mais recente relatório de sua fundação no Fórum Econômico Mundial. O evento terminou no sábado na cidade suíça de Davos.

O relatório trata da economia circular, que pode gerar uma economia de U$ 700 bilhões para o setor de bens de consumo, de acordo com dados da consultoria McKinsey. Bens de consumo como têxteis, alimentos, bebidas e suas embalagens constituem 60% dos gastos dos consumidores e 35% dos fluxos materiais da economia. Além disso, eles utilizam até 90% da produção agrícola, que estará sob pressão no futuro.

O relatório “Em Direção à Economia Circular 2″ diz que as empresas terão uma enorme vantagem competitiva se mudarem seus modelos de negócios para tornar os fluxos de materiais mais circulares. Um exemplo foi o de que a eletricidade e fertilizantes perdidos com o desperdício de alimentos podem representam U$ 1,5 bilhão no Reino Unido por ano.

Ellen MacArthur em seu yacht

Ellen MacArthur em seu yacht

Falando em Davos, MacArthur disse à BBC que as empresas precisam olhar além da eficiência de recursos para abraçarem sistemas circulares. “Numa economia circular, a primeira ação no design seria projetar uma máquina de lavar que fosse desmontável, com peças recuperáveis, que pudesse ser atualizada e que os materiais pudessem ser tirados dela no final de seu ciclo de vida e devolvidos à economia,” afirmou.

O trabalho, que contém análise da McKinsey, foi escrito em colaboração com organização britânica Wrap. Segundo ela, “em 2020, podemos ter 30 milhões de toneladas a menos de materiais na economia, 20% menos lixo e 40 milhões de toneladas de materiais reciclados de volta na economia.”

O mercado global de roupas, alimentos e bebidas é de U$ 3,2 trilhões, diz o relatório. Ele gera três quartos de todo o lixo municipal. Apenas um quinto dos materiais destes bens são recuperados, com uma perda estimada de U$ 2,6 trilhões por ano. Mas o trabalho afirma que as taxas de recuperação poderiam ser aumentadas para 50% simplesmente com a adoção disseminada de reutilização e reciclagem.

O relatório contém uma notícia boa para os britânicos: o custo da cerveja poderia ser reduzido em um quinto a cada 100 litros com a troca de garrafas de vidro por plástico reciclável, o que abaixaria os custos de embalagem, processamento e distribuição, informa o Material Recycling World.

Por Luciene de Assis

Resíduos sólidos não aproveitados dão prejuízo de R$ 10 bilhões anuais ao país

O Brasil joga no lixo, a cada ano, cerca de R$ 10 bilhões por falta de reciclagem e destinação adequada de resíduos sólidos, e de uma política de logística reversa que gerencie o retorno de embalagens e outros materiais descartados de volta à indústria. É esta realidade que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) pretende transformar com a implantação, em todo o país, da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), tema de oficina realizada no início da tarde desta quinta-feira, 30/1, último dia do II Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

do_lixo_as_sombras1Dentro da PNRS, a meta do governo federal é eliminar os lixões de todos os municípios brasileiros até o final de 2014, explicou o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU) do MMA, Pedro Wilson Guimarães. Os governos estaduais e municipais deverão providenciar a substituição dos lixões por aterros sanitários, pois, a partir de 2014, a liberação de recursos da União estará condicionada à existência de planos estaduais e municipais de gestão de resíduos sólidos e de saneamento básico. De acordo com anúncio feito pela presidenta Dilma Rousseff, na segunda-feira, durante a abertura do encontro, os prefeitos terão, em 2013, R$ 35.5 bilhões para investir em obras de saneamento, pavimentação e mobilidade urbana selecionadas no final de 2012.

DESPERDÍCIO

“Os lixões são um problema sério que precisa ser enfrentado por todos os gestores”, disse o analista de Infraestrutura da SRHU, Eduardo Rocha Dias Santos. Ele afirmou que os prejuízos são enormes para o meio ambiente, com queda na qualidade de vida, no bem estar e na saúde pública, além de gerar desperdícios econômicos e impactos sociais significativos. A proposta é não gerar resíduos sólidos, mas reduzir, reutilizar e reciclar, tratando e dando destinação adequada.

riqueza lixo

Wilson aos prefeitos: lixões estão com os dias contados. Foto: Paulo de Araújo/MMA

Santos salientou que apenas a Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, não é suficiente para implantar o que se deseja. “Mas já é um começo”, admitiu. A lei define o compartilhamento de responsabilidades entre as três esferas de governo, o planejamento de ações de gestão e a implantação de infraestrutura adequada, priorizando-se a educação ambiental e a cobrança pela prestação desse serviço público com o objetivo de dar sustentação financeira à PNRS.

Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.

Tagged with:
 

Greener desenvolve Eco Bag a partir do upcycling de lonas publicitárias para ThyssenKrupp Elevadores.

Eco Bag upcycled Thyssen

O projeto contou com a participação das áreas de Sustentabilidade e Marketing da ThyssenKrupp. Foram utilizados os versos acinzentados das lonas para manter um padrão em todas Eco bags, que levam serigrafia em branco.

Estas Eco Bags estão sendo utilizadas pela área de assistência técnica da empresa em diversos estados para transportar peças de manutenção.

A produção das Eco Bags foi efetuada na comunidade Cohab B de Gravataí. Desta forma a Thyssen não só estendeu a vida útil das lonas publicitárias, que demoram mais de 400 anos para se decompor, como gerou renda e beneficiou uma comunidade da região metropolitana do RS.

São Paulo – O Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Escola Politécnica (Poli) da USP, em parceria com a Associação das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couros, Calçados e Artefatos (Assintecal), acaba de lançar oficialmente o Programa Origem Sustentável. Trata-se de uma certificação voltada para o mercado calçadista brasileiro que segue a escala Branco, Bronze, Prata, Ouro e Diamante e atestará que as empresas brasileiras já incorporaram a sustentabilidade em seus processos.

practicalowl/Creative Commons

practicalowl/Creative Commons

Este programa começou a ser desenvolvido em 2010 e contou com a participação de pesquisadores do MIT L_Lab (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que estiveram no Brasil em janeiro de 2011 e 2012.

O lançamento oficial do programa aconteceu no dia 15 de janeiro, na Couromoda, e no dia 16 de janeiro, no Inspiramais, quando as primeiras empresas dos setores de calçados e seus componentes, receberam a certificação por estarem alinhadas aos quatro pilares estabelecidos: ambiental, econômico, social e cultural.

Nos dois dias de lançamento, a Abicalçados, a Assintecal e o LASSU apresentaram o projeto e as empresas que foram certificadas ate o momento: as fabricantes de calçados Bibi, Piccadilly e Dian Patris; e as fabricantes de componentes: JotaClass, JR Dublagem, Killing, FCC, Prisma, Endutex, Dublauto Gaúcha, Cipatex e MK Química.

Benefícios

Com este programa, a Abicalçado e a Assintecal pretendem que fabricantes de calçados e de componentes tenham um maior engajamento em questões de sustentabilidade, o que resultará na ampliação das oportunidades no mercado de exportação para países que possuem regulamentação orientada à aquisição de produtos sustentáveis. Outro benefício do selo é a garantia de alinhamento da indústria de componentes e de calçados brasileira com iniciativas internacionais de sustentabilidade como SAC (Sustainable Apparel Coalition), Biocalce, DOW Jones Sustainability Index, ISE-Bovespa entre outras.

Segundo a diretora do LASSU, a professora Tereza Cristina Carvalho, do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Poli, o Programa Origem Sustentável está voltado para tornar a cadeia produtiva do setor calçadista sustentável, além de ser pioneiro, em relação a iniciativas semelhantes mundiais, por incorporar o pilar cultural que visa promover a cultura brasileira associada ao nosso sapato, agregando um diferencial competitivo.

O Programa Origem Sustentável é patrocinado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e tem como parceiros o Instituto By Brasil, USP e MIT. As auditorias para definir em que nível de selo a empresa se enquadra – Prata, Ouro e Diamante – ficarão sob a responsabilidade da SGS – System & Service Certification e Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Para os níveis Branco e Bronze, é necessária somente a adesão ao programa (nível branco) ou preencher um questionário de auto avaliação (nível bronze).

Mercado internacional

“Estamos buscando o compromisso das empresas em gerenciar e melhorar seus resultados em um processo global. O conceito de calçado sustentável, com certeza, abrirá mais o mercado internacional e dará mais competitividade. A Europa, por exemplo, não aceita mais o ingresso de determinados produtos”, citou o presidente da Assintecal, Marcelo Nicolau.

As cerimônias de lançamento do Programa aconteceram junto ao estande da Abicalçados na Couromoda e no Espaço Origem Sustentável, patrocinado pelo Sebrae e que integra as atividades do Inspiramais – Salão de Design e Inovação de componentes, em São Paulo. Para reforçar o programa de sustentabilidade, de acordo com os critérios e indicadores do Programa Origem Sustentável, durante o Inspiramais também foram realizadas palestras e apresentados quatro cases de inovação e sustentabilidade.

Fonte: Revista Exame

Este é um conceito que a Revista Ideia Sustentável traz em entrevista realizada com o autor do termo Stuart Hart.

As grandes empresas devem atuar nos negócios sociais e inclusivos se quiserem ser sustentáveis. A tese é defendida por Stuart Hart, uma das maiores autoridades mundiais sobre implicações do ambiente e da pobreza para a estratégia de negócios. Junto com C.K. Prahalad, assinou o célebre artigo A Riqueza na Base da Pirâmide, publicado pela Harvard Business Review em 2009, e é autor de mais de 70 trabalhos acadêmicos e livros sobre o tema, entre eles O Capitalismo na Encruzilhada, considerado uma das mais importantes obras sobre sustentabilidade no mundo.

stuart hart

Para criar um modelo de capitalismo sustentável, proponho duas abordagens e estratégias. A primeira, chamo de greening – ou seja, melhoramento contínuo, redução de impactos negativos dos produtos e sistemas em vigor. Do ponto de vista de estratégias internas, em particular, a prevenção à poluição e gestão de resíduos, com operações mais econômicas, seguras e que tenham clara conexão com a criação de valor.

Já como estratégias externas, há a certificação de produtos, o engajamento dosstakeholders, buscando trazê-los à cadeia de valor, com interação maior no core business, desenhando produtos mais aptos a “reduzir”, “reutilizar” ou “remanufaturar”, pensando-se na vida útil – em toda a cadeia – de forma mais sustentável. Isso representa 90% ou 95% do que as empresas já fizeram até hoje, em nome da sustentabilidade. Mas não é tudo.

Acima – e além disso – vêm os compromissos com o processo,  que chamo de beyond greening. Significa atingir o espaço da próxima geração, “do que vem depois”. Falo de um salto, que tornará o modelo atual obsoleto, considerando novos mercados e tecnologias ainda não pensadas para a sustentabilidade do meio ambiente. Acredito que dessa forma chegaremos à base da pirâmide, área pouco explorada pelos negócios de forma inclusiva, afirma Hart.

Por Greta Salvi 

Reportagem  na íntegra

Tagged with: