Ricardo Voltolini

“O potencial de geração de empregos é gigantesco”. Quem garante que as oportunidades econômicas são infinitas com a aplicação dos conceitos de sustentabilidade ambiental no cotidiano das empresas é o professor Juarez Freitas, que apresentou o tema Tributação Ambiental: Impostos Verdes na segunda edição do Fórum de Sustentabilidade, realizada nesta quinta-feira pela Fecomércio em Porto Alegre.

Freitas afirma que os “empregos verdes”, ligados diretamente às iniciativas sustentáveis, como a reciclagem, somam três milhões no Brasil. “Mil desses postos são de catadores de material reciclável. Então podemos perceber que, com o aprofundamento das práticas de responsabilidade ambiental empresarial, o potencial criado é enorme”, disse.

Para Ricardo Voltolini, autor do livro Conversa com Líderes Sustentáveis, a inclusão dos princípios da sustentabilidade nas relações sociais pode ganhar força a partir da gestão das empresas. Para isso, ele defende que é necessário o envolvimento direto dos presidentes das companhias. “Sustentabilidade é um assunto para grandes líderes, mas isso não é exclusividade das grandes empresas. Quando se fala em liderança, se fala em atitude”, disse. Voltolini lembrou o programa Ideia Sustentável – Plataforma Liderança Sustentável, iniciativa que está sendo estendida às micro e pequenas empresas (MPEs) com o apoio do Sebrae.

Segundo Voltolini, um dos pontos que diferenciam os líderes empresariais comprometidos com a sustentabilidade é o ponto de vista diante das ações de redução de impacto negativo. Enquanto para os demais o cálculo é baseado em quais seriam as perdas em caso de negligência com a questão ambiental, os “líderes sustentáveis” pensam suas estratégias a partir das possibilidades de ganho diante das mudanças.

Sergio Besserman

O evento contou ainda com a participação de Sergio Besserman com sua visão da Rio +20 e a importância da sociedade civil entrar no debate. Besserman afirmou que os principais problemas do meio ambiente, apontados e discutidos durante o evento, são a crise de biodiversidade de espécies e as mudanças climáticas. Segundo o palestrante, a meta é de que em três anos os governos mundiais consigam colocar em prática as propostas discutidas, que são: gerar uma economia mais sustentável, implementar práticas de governo mais sustentáveis e, principalmente, desenvolver uma consciência sustentável na população. “Consumimos os recursos do planeta achando que era tudo de graça, um presente de Deus. Nada foi de graça. Hoje recebemos a conta, a natureza quer de volta o que é dela, e teremos que pagar por isso”, afirmou.

 Na parte da tarde, a gerente de resíduos perigosos do Departamento de Ambiente Urbano da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, explicou sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A Política, regulamentada em dezembro de 2010, reúne o conjunto de objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações adotados pelo Governo Federal, isoladamente ou em regime de cooperação com estados, Distrito Federal, municípios ou particulares, visando à gestão integrada e ao Gerenciamento Ambientalmente Adequado dos Resíduos Sólidos.

Prática empresarial

O gerente de marketing da Região Sul da empresa Natura, Paulo Padovani, encerrou o Fórum com a palestra Práticas Sustentáveis. Pandovani explicou que a Natura pensou no desenvolvimento constante da empresa, só que de outra forma. “Pensamos em um desenvolvimento econômico sustentável desde nossa origem para que conseguíssemos atender as necessidades do presente sem interferir no nosso futuro”, disse.

Fonte: Jornal do Comércio e Agência Fecomércio 

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